Reino Unido/Eleições: PRIMEIRO DEBATE ENTRE CONSERVADORES E TRABALHISTAS COMEÇA E ACABA SEM GRANDES SURPRESAS

Rishi Sunak e Sir Keir Starmer enfrentaram-se no primeiro debate televisivo das eleições gerais, com acesas discussões sobre impostos, o SNS e a imigração. Os líderes do Partido Conservador e do Partido Trabalhista chegaram a discutir, obrigando o apresentador do evento da ITV a intervir e a pedir aos dois que “baixassem a voz”

Tal como os Conservadores, os Trabalhistas prometeram não aumentar o imposto sobre o rendimento, a Segurança Social ou o IVA durante a próxima sessão parlamentar, mas Rishi Sunak afirmou que “funcionários independentes do Tesouro calcularam os custos das políticas do Partido Trabalhista, que equivalem a um aumento de impostos de £2.000 para cada família trabalhadora.”

Esta declaração corre o risco de induzir as pessoas em erro, e o primeiro-ministro mencionou o valor de £2.000 nove vezes durante o debate.

Para além de o valor de £2.000 ser questionável, na realidade, totaliza mais de £500 por ano ao longo de quatro anos, o que não é necessariamente aquilo que alguém pensaria se se lhe dissessem que os seus impostos iriam aumentar £2.000.

O valor baseia-se na soma de quanto os Conservadores afirmam que os planos de despesa do Partido Trabalhista custariam – utilizando alguns pressupostos questionáveis – e dividindo este valor pelo número de agregados familiares no Reino Unido com pelo menos uma pessoa a trabalhar.

Os conservadores afirmam que os custos foram calculados por funcionários públicos imparciais, mas a BBC diz que o mais alto funcionário público do Tesouro, James Bowler, afirma que o cálculo dos planos do Partido Trabalhista, que custam 38,5 mil milhões de libras (e, portanto, 2.000 libras por agregado familiar ao longo de quatro anos) “não deve ser apresentado como tendo sido produzido pelos serviços públicos”.

Afirma a emissora que, embora os funcionários públicos estivessem envolvidos na elaboração dos custos de algumas medidas individuais, trabalharam com base em pressupostos enviados por consultores especiais nomeados pelos conservadores.

Por exemplo, um dos custos analisa o plano dos trabalhistas para que mais serviços sejam prestados pelo Estado em vez de empresas privadas e parte do princípio de que as empresas privadas são sempre 7,5% mais eficientes.

Mas os funcionários públicos que efetuaram os cálculos avisaram que tinham “pouca confiança” na utilização desse valor.

Os trabalhistas também contestaram o facto de alguns dos itens do dossier serem as suas políticas reais. Não saberemos exatamente quais são as políticas do Partido Trabalhista – e como serão financiadas – até vermos o seu manifesto, que ainda não foi publicado.

Keir Starmer afirmou durante o debate que o dossier se baseia em “políticas trabalhistas a fingir”, incluindo “uma política de saúde mental que não é a política do Partido Trabalhista”.

Durante o debate, Keir Starmer também atacou a política do imposto da segurança social, dizendo que Rishi Sunak anunciou que “a política deles é acabar com a Segurança Social (NI) – que valem 46 mil milhões de libras”.

E Starmer tem razão quando diz que abolir o imposto social dos trabalhadores custaria cerca de 46 mil milhões de libras.

Mas o primeiro-ministro não disse que o iria fazer durante o próximo Parlamento.

Em maio, disse aos deputados que “temos uma ambição a longo prazo de continuar a reduzir a Segurança Social” e prometeu “fazer progressos nesse sentido no próximo Parlamento”, mas não aboli-la completamente.

O atual ministro das Finanças afirmou que o faria quando a economia tivesse crescido o suficiente para o tornar acessível e admitiu que tal não aconteceria antes de 2030.

Os 46 mil milhões de libras fazem parte de uma série de números que os trabalhistas compilaram num dossier de 71 mil milhões de libras, muitos dos quais não são promessas dos conservadores para o próximo Parlamento.

Quanto à política de combate à travessia do Canal da Mancha de migrantes vindos da França, também atacada por Keir Starmer, Rishi Sunak continua a defender a repatriação desses imigrantes para o Rwanda, onde esperarão pela resposta dos pedidos de emigração pedidos.

Quanto a Starmer que chamou de obsoleta esta decisão conservadora, ficou pouco claro como irá resolver e evitar a permanente chegada à fronteira destes imigrantes.

Um debate que se pautou renhido, mas que a maioria da comunicação social diz ter pendido para os conservadores, a quem dão a vitória mínima de 51%. No entanto, as sondagens continuam a dar uma confortável liderança aos trabalhistas de 19 pontos de vantagem.

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