CABRITA: DEMISSÃO A ALTA VELOCIDADE

Diz-se por aí, mas há quem duvide, que o arrogante ministro Eduardo Cabrita já tinha anunciado a António Costa que se demitiria caso o seu motorista, envolvido num desastre de viação que matou um trabalhador na A6 em Julho passado, fosse acusado de homicídio por negligência. Durante meses o intratável político refugiou-se na condição de mero passageiro na altura do mortal acidente, tentando assim sacudir a água daquele capote esburacado que se revelou insuficiente para tapar a irresponsabilidade e a falta de ética, e de humanidade, deste irascível político que se temia vitalício na governação deste País – finalmente nesta sexta-feira o resiliente ministro demitiu-se a alta velocidade, finalmente vimo-nos livre desta criatura de maus fígados e piores decisões, finalmente o primeiro-ministro foi obrigado a abrir mão do amigo que sempre defendeu, mesmo quando o bom senso, de que não será particular apreciador, recomendava que o tivesse demitido, sem esperar pelos costumados inquéritos ou pelas habituais investigações de que tanto gostamos – desta vez não havia que enganar, é óbvio que o ministro Cabrita teria sempre a sua quota parte de responsabilidade neste acidente provocado pela viatura em que se transportava a 163 quilómetros por hora e sem sinalização de emergência!

Mais uma vez o mar bateu na rocha e quem se lixou foi o mexilhão! Onde está a condenação do ministro, onde pára a vergonha, onde reside a responsabilidade civil desta criatura que foi testemunha, senão cúmplice, deste homicídio causado pela negligência de um motorista às suas ordens, ao serviço do seu ministério, do governo de que fazia parte e do estado de direito que deveria respeitar? Que pensará este povo, amansado e amassado pelos Costas, Cabritas e quejandos que há seis anos nos governam? Que dirá o Presidente da República – “apure-se tudo, até às últimas consequências” – que transportou para a banalidade esta frase que agora não passa de um lugar comum repetido por todos os políticos sempre que se sentem apertados pela opinião pública? Será que a responsabilidade do senhor Cabrita é apenas política? E o que é isso de responsabilidade política se nada lhes acontece quando metem as patas na poça e assobiam para o lado? Será uma simples demissão penalização suficiente para castigar os prevaricadores, sabendo nós – ou, pelo menos, desconfiando – que outros altos voos estarão reservados aos Cabritas que se demitem hoje para amanhã ocuparem importantes cargos que lhes garantirão a reforma dourada com que sempre sonharam? Que País é este onde reina a impunidade dos mais fortes, onde os governantes escapam, à sorrelfa, da justiça, enquanto os outros, que somos todos nós, são enviados para a barra dos tribunais, muitas vezes para a prisão, por delitos menores ou maiores, condenados por circunspectos juízes de cara dura e espinha dorsal maleável? Isto fica assim e não se fala mais nisso? A viúva do trabalhador atropelado será devidamente indemnizada por este crime originado pela incúria, pela irresponsabilidade e pela prepotência de um ministro que desde a primeira hora tentou fugir com o rabo à seringa, esse mesmo rabo gordo que sentava no banco traseiro do potente BMW em que habitualmente se deslocava? Será que o senhor Cabrita batia uma sorna e não se apercebeu da alta velocidade a que ia o acelera que lhe servia de condutor? E não terá sido o próprio ministro a ordenar ao motorista para pôr o pé na tábua, acelera que se faz tarde? Já agora, que gabinete de advogados de nomeada foi posto à disposição do motorista ou da viúva? Ou será que vai ser nomeado um defensor público, um inexperiente e mal pago causídico para representar o alegado homicida negligente, agora sem futuro e com o passado já manchado?

Cabrita demitiu-se, é verdade. Mas só isso não chega – até porque, mesmo na hora da despedida, o insensível ministro voltou a reiterar a sua total inocência neste caso, como já o tinha feito no complicado imbróglio do SEF, de que saiu de mãos lavadas como Pilatos, sempre patrocinado pelo amigo Costa que, por certo, já lhe terá já reservado lugar num qualquer ministério caso este povo estupidificado lhe confira a vitória que não merece nas legislativas que se aproximam.

Mais Cabrita? Só se for de chanfana!!!

DANIEL SANTOS

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