VÁRIAS VERGONHAS

Ontem, no nosso futebol já tão desacreditado pelos inúmeros casos de polícia que diariamente o conspurcam, aconteceram mais vergonhas cometidas por vários culpados que, agora, depois de consumado o escândalo, trocam culpas e desculpas e sacodem a água do capote sob o qual tentam esconder as suas responsabilidades e a sua falta de senso – ontem, no Jamor, assistiu-se a uma tragicomédia que jamais deveria ter subido ao palco, ontem, no Jamor, assistiu-se a mais uma execrável peça que só empobrece o nosso futebol: do patrão da BSAD, passando pela Direcção Geral da Saúde e pela Liga de Futebol, até chegar ao próprio Benfica, todos tiveram a sua quota parte de responsabilidades naquilo que aconteceu antes, durante e depois daquela espécie de jogo de futebol que nunca se deveria ter realizado.

Não me cabe assacar responsabilidades, muito menos classificá-las – mas, como adepto de futebol e como cidadão, sinto-me no direito de criticar a forma como um patrão de uma empresa (a BSAD não é um clube) teve o desplante de enviar os seus empregados, leia-se jogadores, para um enxovalho daqueles sem que daí possam advir consequências para o seu comportamento e para a sua empresa; também critico a DGS, que umas vezes manda, outras nem por isso, e que permitiu que nove indivíduos, que conviveram com inúmeros outros que testaram positivo nos testes à Covid-19, entrassem em campo para misturarem suores, contactos e abraços com outros tantos que testaram negativo, sob o risco de eventualmente serem portadores do vírus, se calhar ainda em estado de incubação; o que eu critico é a Liga de Futebol, que, numa situação excepcional como esta, não tivesse tomado medidas também excepcionais, impedindo a realização do jogo; e, finalmente, também critico a postura do clube de que sou adepto, o glorioso Benfica, que se aproveitou das fragilidades do adversário para o castigar com golos atrás de golos, quando podia, e devia, logo que a vitória estivesse assegurada, parar de massacrar os briosos empregados do senhor Rui Pedro Soares, um patrão vaidoso e prepotente que entendeu ir a jogo sem qualquer trunfo na manga, sabendo de antemão – e por experiência própria – ter a sua impunidade garantida. Rui Costa, o novo presidente dos encarnados, e o treinador Jorge Jesus, por uma questão de solidariedade deveriam ter dado instruções aos seus jogadores para que, depois de garantidos os três pontos, se limitarem a trocar a bola entre si, evitando a humilhação daqueles nove profissionais que, como eles, vivem do futebol – bater nos fracos é cobardia, ao Benfica caberia respeitar os jogadores da BSAD e nunca, mas nunca, contribuir para que os mesmos fossem envergonhados por causa de uma aberrante conjugação de asneiras e incompetências de que não eram culpados!

Foram vergonhas demais… e ninguém sai limpo desta javardice em que o nosso futebol está transformado!!!

DANIEL SANTOS

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