DESTA VEZ, JESUS NÃO INVENTOU!

Nada melhor do que a goleada, à moda antiga, imposta pelo Benfica ao Braga, para que o País voltasse à “normalidade” – vamos é falar de futebol, o chumbo do Orçamento, as crises internas que se vivem no PSD e no CDS, a confusão que se começa a gerar com o calendário da vacinação tripla contra o covid e a vacinação normal contra a gripe, as fugas dos médicos de hospitais ingovernáveis e doentes, nada disso interessa a grande parte dos portugueses, que se lixe a política, a saúde, a economia, a educação, vamos lá falar de chutos e pontapés, deste Benfica que num ápice passou de besta a bestial, dum renascido Sporting que teima em ganhar e de um FC Porto cada vez mais apostado em fazer frente aos morcões de Lisboa…

Como benfiquista que sou – crítico do meu clube e da minha equipa de futebol sempre que entendo ocupar o meu lugar de treinador de bancada – aqui estou eu para elogiar a tal goleada infligida a um cansado Braga que veio à Luz com o intuito de tirar dividendos do mau ambiente que se dizia instalado entre jogadores e treinador, enfaticamente desmentido por Jorge Jesus que acredita que a nossa comunicação social não escreve nem anuncia mentiras, que não acredita em bruxas mas sim em fantasmas não identificados que espalham pelos jornais e pelas televisões essas terríveis notícias de escárnio e mal dizer…

Escrito isto, tenho de reconhecer que Jorge Jesus desta vez acertou! Infelizmente o treinador do Benfica viu-se obrigado a mexer na equipa devido à lesão de João Mário, já que a de Lucas Veríssimo (grave, segundo consta) não teve qualquer influência no decorrer do jogo, pois o Braga não atacava, e o jovem Morato chegou para as encomendas; quanto à substituição de Darwin, que terá saído com algumas queixas, parece que nada de grava se passa, o uruguaio estaria apenas cansado de fazer todas aquelas “piscinas” … que não matam, mas moem, como todos sabemos.

E porque digo que Jesus desta vez acertou? Ora, meus caros Watsons, Jesus acertou porque não inventou: colocou Gilberto como defesa esquerdo – embora não seja um jogador de excepção, o brasileiro é o mais fiável para ocupar esta posição em que Jesus já terá experimentado para aí meia equipa, nomeadamente um tal Lázaro que não passa disso mesmo, um jogador pobre de ideias e de iniciativas, que só sabe jogar para o lado ou para trás! A lesão de João Mário e a entrada de Paulo Bernardo veio dinamizar o meio-campo, pois o miúdo é um jogador que joga ao primeiro toque e é mais rápido e mais voluntarioso do que o ex-sportinguista, um centrocampista que pára muito o jogo, que tem sempre mais uma voltinha a dar antes de entregar a bola; quanto ao criticado Cebolinha, finalmente parece ter acertado no tempero – Everton é um jogador “vadio”, que precisa de liberdade em campo, não lhe peçam para se preocupar em defender, os médios que cubram as suas arrancadas; finalmente, a ausência de Yaremchuk, um jogador muito fixo que quase obriga que todos joguem para ele, veio criar uma nova dinâmica no ataque, com todos os elementos em constantes mudanças de posição, jogando rápido e sem a preocupação de entregar a bola ao ucraniano, sempre muito marcado pelos defesas adversários, que, na goleada de ontem, não sabiam quem deviam marcar.

Foi assim que eu vi a partida de ontem – no sofá, não na bancada, terão sido estas as ilações que tirei de um jogo que, como adepto do Benfica, há muito vinha reclamando. E exigindo…

DANIEL SANTO

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