AS VÍSCERAS DE MAMADOU BA

As vísceras do senhor Mamadou Ba merecem estudo cuidadoso por parte de muitas especialidades médicas – o designado activista antirracista, muito considerado na nossa praça, na nossa comunicação social, no Bloco de Esquerda e noutras instituições que vivem à custa sabe-se lá de quê, declarou, há dias, ao “Diário de Notícias”, que o seu anticolonialismo vem-lhe das vísceras, das entranhas, das profundezas do seu corpinho de ébano, bem comido e bem bebido à conta dos “compatriotas” portugueses, que, além do alimento, também lhe vão disponibilizando o palco donde lança ódios, mentiras, provocações e incitações, umas veladas, outras nem por isso, contra o abominável homem branco, um ser intrinsecamente racista que urge reconverter, ou, com menor esforço e maior gozo, eliminar da face da terra.

Nascido no Senegal em 1974, cedo terá percebido que não valia a pena continuar em África, corridos que já tinham sido os colonialistas franceses da sua terra natal, soberana desde 1961 depois de conturbadas lutas pelo poder. Ainda criança, a Mamadou terão chegado novas de um arquipélago vizinho, de seu nome Cabo Verde, cujo povo vivia sob o jugo de um país chamado Portugal, pequeno em dimensão mas enorme em colonização, e que em África também explorava a minúscula e alagada Guiné-Bissau, as paradisíacas ilhas de São Tomé e Príncipe, os vastos e ricos territórios de Angola e Moçambique – e terá sido nessa altura que se manifestaram no pequeno Mamadou os primeiros indícios de um azedume patológico que mais tarde viria a resultar nos maus fígados que agora fazem dele o homem bilioso que, metaforicamente ou não, propõe a eliminação dos brancos, promovendo assanhadas campanhas contra aqueles que o acolheram, que lhe garantem o sustento e que lhe concederam a impunidade de que usa e abusa para propagandear, sem medos ou vergonha, o ódio aos colonialistas e racistas brancos que guarda noutra víscera, o coração…

Em Kolda, sua cidade natal, cedo Mamadou começou a dedicar especial atenção, e indisfarçável raiva, aos colonialistas, ao homem branco que, ora pelo uso da força, ora pelo abuso dos indígenas, ora pelo conhecimento, se tinha apropriado dos territórios africanos. A ele, Mamadou Ba, pouco interessava que no seu próprio país se perseguissem e explorassem as “talibés”, crianças oferecidas pelos próprios pais para serem educadas nas escolas islâmicas – ainda hoje há milhares de meninos e meninas que esmolam nas ruas, pagando com o parco dinheiro recolhido o seu ensino, ao mesmo tempo que vão enriquecendo os gananciosos professores dessas escolas corânicas, segundo afirmam os relatórios da “Human Rights Watch”! Mas isso, e muito mais do acontecia, e acontece, no seu próprio país, pouco importava ao Mamadou, feito cão esfomeado que apenas pretendia ferrar o dente nas alvas canelas dos colonialistas…

Corridos de África os franceses, portugueses, ingleses e holandeses – uns a bem, outros de calças na mão – já não fazia sentido que Mamadou se mantivesse no seu país, pelo que, em 1999, já com 25 anos, o senegalês entendeu vir reactivar as colonialistas mentes portuguesas, muitas delas já esquecidas das malfeitorias que haviam espalhado por África. Chegado a este Portugal bonacheirão – porque não escolheu a França, que explorara a sua terra, é ainda tabu que conviria esclarecer – sem habilitações nem conhecimento da língua, a Mamadou só restava a construção civil… e terá sido aí, nesse trabalho esforçado, e forçado, que Mamadou terá colhido mais motivos para alimentar o seu ódio contra os brancos, sentindo-se mais uma vez colonizado e explorado por um mestre-de-obras branco e por um empreiteiro também branco que o obrigavam a dar serventia aos pedreiros que também eram brancos!

Descontente e cada vez mais revoltado, Mamadou lá obteve (não se sabe bem como) o que muitos indígenas deste pobre país jamais conseguiriam – foi-lhe concedida uma bolsa de estudo, e, num ápice, Mamadou viu-se promovido a tradutor. E no que respeita a bolsas – o senegalês, tornado português por via administrativa e sem que tivesse feito algo pelo país que o acolhera – cedo tratou de procurar outras, aquelas onde se guardam as moedas, as notas, os cartões bancários e os cartões de activista certificado, pelo que ninguém se admirou quando o agora intelectual afro-português se viu metido na política, acolhido pelo partido de umas meninas burguesas/revolucionárias que terão visto, naquele indivíduo, mais um megafone

donde seriam gritadas as suas ideias fracturantes – daí para a frente foi um ver-se-te-avias, com o senegalês a integrar instituições e associações, o que lhe tem permitindo dar largas ao trabalho de outras das suas vísceras, neste caso os intestinos, por onde vai expelindo a merda que todos lemos e ouvimos na nossa pouco criteriosa comunicação social, cada vez mais preocupada com os trocos e o mediatismo em detrimento dos conteúdos.

É triste a história de Mamadou Ba? E não haverá por aí quem lhe trate das vísceras e lhe reconheça mérito nesta sua incansável luta contra o racismo e o colonialismo? Com certeza que sim, não se duvide que Mamadou tem inúmeros apoiantes e seguidores – provavelmente todos aqueles que nunca fizeram nada, mal ou bem, pelo seu país, que se envergonham do seu passado e renegam a sua História, metendo no mesmo saco os nossos heróis e os nossos vilões… que também os tivemos!

Go to TOP
Translate »