AMOR COM AMOR SE PAGA

por DANIEL SANTOS
20 de Novembro 2020

A TVI está a recompensar, e de que maneira, o governo pelos quase três milhões e meio de euros que Costa entregou à Media Capital, em Maio passado, quando entendeu distribuir cerca de 11,5 milhões de euros do nosso rico dinheirinho pela comunicação social, em troca de publicidade, dizem os ingénuos – e a SIC e a TVI têm retribuído a dádiva, que maior publicidade poderiam oferecer estas duas estações do que aquela que já fazem, promovendo e elogiando tudo o que o governo faz, omitindo o que não faz… e o que deveria fazer?

Amor com amor se paga, lá diz o ditado, e a TVI nem consegue disfarçar esse amor, já transformado em obsessão, que a levou a encetar uma série de entrevistas em que os entrevistadores – Miguel Sousa Tavares com André Ventura e a parelha Anselmo Crespo/Pedro Benevides com Rui Rio –  mais pareciam três severos juízes a julgarem dois perigosos facínoras, como se não tivessem pela frente dois deputados eleitos democraticamente pelos portugueses, no caso de Rui Rio o chamado líder da oposição, quanto a mim um português suave que já não se fuma, provavelmente sério e honesto demais para lidar com a hipócrita classe política que temos, com especial evidência para os 230 deputados de que apenas conhecemos meia dúzia deles, já que os outros, quedos e mudos, ali passam quatro anos a picar o ponto e a comer lagosta no “refeitório” da Assembleia da República!

Mas vamos à entrevista feita a André Ventura: Miguel Sousa Tavares (MST), mais compostinho e com menos olheiras do que lhe é habitual, atirou-se ao Ventura como cão esfaimado a um osso, como alcoólico à litrada de tinto… ou à garrafa de whisky! O líder do abominável Chega que o Tribunal Constitucional aceitou como força política que a esquerda, em coro afinado, quer correr do Parlamento, como se sabe é candidato às próximas eleições presidenciais – ora, durante a entrevista, MST não lhe fez perguntas sobre o assunto, sobre os poderes do PR, sobre os outros candidatos, sobre a quase nulidade do cargo, limitado pela Constituição a desempenhar – com as diferenças inerentes às épocas – um papel muito parecido com aquele que Américo Thomaz, e outros, interpretaram ao longo de muitos anos , já que as inaugurações e outros eventos sonantes agora estão a cargo de António Costa e seus pares, até esse mediatismo tiraram ao amigo Marcelo, obrigado a despir-se para se tornar viral!

Um dos piores momentos de MST aconteceu quando resolveu abordar o tema da castração química de pedófilos, proposto no programa do Chega – neste tema, que o entrevistador não soube, não teve tempo ou não quis estudar, Ventura atirou-lhe com o nome de países onde tal acto médico é praticado, embora a sua aplicação varie de país para país, tendo em conta a gravidade, a reincidência do perpetrador, a idade da vítima, etc. Mas o facto, real, é que a castração química (chamem-lhe os nomes que quiserem) existe na Polónia, França, Bélgica, Hungria, Estónia, Lituânia, Suécia, Dinamarca, Noruega… chega? Já no tema da pena de morte e da prisão perpétua – também abordados na entrevista como arma de arremesso ao Chega – na Europa só a Bielorrússia pratica a primeira, enquanto a prisão perpétua ainda vigora na Alemanha, na Suécia, no Reino Unido e noutros países europeus…

MST não estudou bem a lição! Armou-se em justiceiro de qualquer coisa, interrompeu o entrevistado sempre que o rumo da resposta não lhe agradava, foi rude, agressivo, mal educado e pouco ou nada informado – ser entrevistador ou comentador são coisas bem diferentes, às vezes a areia é pesada demais para a camioneta que alguns querem conduzir.

Nota à margem. A entrevista a Rui Rio não foi melhor – estivesse o Alberto João Jardim de há 20 anos no lugar do líder do PSD e a coisa certamente teria descambado, nomeadamente quando os entrevistadores insistiram, e insistirm, e voltaram a insistir no facto de os sociais democratas terem chumbado, na generalidade, o OE2020/21 e se o voltarão a chumbar após a sua discussão na especialidade. Rui Rio bem tentou explicar-lhes que aquele era o OE do PS, do BE e do PCP, e não o dele, Rui Rio bem tentou fazer ver àquelas duas cabecinhas teimosas que foi o próprio Costa que disse, alto e em bom som, não precisar do apoio do PSD… mas parece que hoje, alguns dias volvidos, o Crespo e o Benevides ainda não perceberam bem a coisa. Enfim…

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