E, DE REPENTE…

por Daniel Santos
16 Novembro 2020

… a Liga das Nações passou a ser uma prova menor, uma competição sem interesse, mais uma invenção da UEFA para armazenar uns trocos – foi isto o que ouvi da boca de alguns comentadores encartados, daqueles que passam a vida nas televisões a falar de transferências, de milhões, de compras e de vendas de jogadores, das trafulhices dos dirigentes, da incompetência dos árbitros… enfim, eles falam de tudo menos de futebol!

E porquê esta desvalorização da prova? Ora, porque Portugal acaba de ser afastado da “final four” – e bem! – por uma selecção gaulesa que veio a Lisboa discutir bravamente um resultado que só não nos envergonha porque era a noite de um tal São Patrício que, de milagre em milagre, foi adiando a derrota que se anunciava desde o pontapé de saída!

Fernando Santos, que é engenheiro electrotécnico, desta vez enganou-se nos chips, baralhou o hardware e o software dos jogadores e foi o que se viu! Ao colocar João Félix amarrado à esquerda, ao dar a titularidade a um Bernardo Silva nitidamente em baixo de forma, ao obrigar os laterais a manterem-se fixos no nosso meio-campo e ao permitir que o menino de ouro jogasse (?) durante os 90 minutos – CR7 nunca marcou qualquer golo a grandes selecções como a da França, da Inglaterra, do Brasil, da Alemanha, ou da Itália – o engenheiro deu cabo do sistema, pouco ou nada integrado, que bem cedo começou a deitar fumo por todos os lados! Hoje pedia-se uma selecção de fato-macaco – e o senhor Santos, feito alfaiate fino que só trabalha casacas e smokings, não soube vestir a rapaziada para aquele evento que se previa duro, atlético, disputado palmo a palmo…

Félix e Bernardo não defendem, Ronaldo muito menos – os adversários passam a 2/3 metros dele e o melhor do mundo nem a perna estica para lhes impedir a progressão – e se os laterais não têm ordem de descer para efectuar cruzamentos, o que está o CR7 a fazer à entrada ou mesmo já dentro da área? E porque não foram a jogo, de imediato, o Diogo Jota e o Paulinho, que estão em grande forma? E que ideia foi essa de tirar o Williams, desequilibrando ainda mais o nosso já desnorteado meio campo, para logo de seguida perceber que havia feito asneira e ser obrigado a meter o Moutinho para conseguir travar os franceses?

Ai engenheiro, engenheiro, temos de fazer uma revisão a todos esses circuitos, há por ali demasiadas peças soltas que precisam de uns pingos de solda… e o senhor engenheiro até a tem no banco, basta usá-la com alguma sapiência e muita coragem!

À margem. Posso estar muito enganado, mas tenho a sensação de que, a partir de determinada altura, o único desígnio da nossa selecção, da nossa comunicação social e de milhares de portugueses, parece ser a tentativa – eu chamar-lhe-ia obsessão – de que Cristiano Ronaldo venha a bater o recorde do iraniano Ali Daei, que, horror dos horrores, tem 109 golos marcados ao serviço da sua selecção, enquanto o craque madeirense conta 102 tentos obtidos em representação de Portugal – e desta vez, infelizmente para nós, nem houve um ou dois penáltis para Ronaldo se aproximar ainda mais da marca do iraniano…

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