Reino Unido: MINISTRO DIZ QUE 4 SEMANAS PODERÁ SER POUCO PARA COMBATER O VÍRUS

Michael Gove diz que é a “sua esperança fervorosa” que o novo confinamento na Inglaterra termine em 2 de dezembro – mas os ministros irão decidir se assim será “guiados pelos fatos. Precisamos de chegar até a uma taxa de R abaixo de 1”, disse o ministro do Conselho de Ministros hoje no Andrew Marr Show, da BBC.

As novas medidas que introduzirão o segundo confinamento em Inglaterra entrarão em vigor a partir de quinta-feira. Pubs, restaurantes, academias, lojas não essenciais e locais de culto serão fechados, mas escolas, faculdades e universidades podem permanecer abertas.

Segundo o ministro do Conselho de Ministros britânico, este segundo confinamento em Inglaterra pode durar mais do que as quatro semanas previstas, se as taxas de infeção do novo coronavírus não caírem suficientemente depressa.

O confinamento anunciado no sábado pelo primeiro-ministro Boris Johnson deverá vigorar entre a próxima quinta-feira e 02 de dezembro.

Johnson diz que é necessário impedir que os hospitais fiquem sobrelotados por pacientes com covid-19 dentro de semanas.

“Com um vírus tão maligno e com sua capacidade de se mover tão rapidamente, seria tolice prever com certeza absoluta o que acontecerá em quatro semanas”, disse Michael Gove à Sky News.

“Vamos reavaliar a situação no dia 02 de dezembro, mas iremos sempre guiarmo-nos pelo que os dados dizem”, adiantou.

Sob as novas restrições, bares e restaurantes só podem estar abertos para ‘take-away’, o comércio não essencial deve encerrar e as pessoas só poderão sair de casa por razões contidas numa pequena lista, na qual se inclui o exercício físico.

Cabeleireiros, academias, campos de golfe, piscinas e pistas de ‘bowling’ estão entre os locais que devem fechar e as pessoas estão impedidas de ir de férias para o estrangeiro.

Ao contrário do primeiro confinamento de três meses no Reino Unido, no início deste ano, escolas, universidades, empresas de construção e indústria continuarão a funcionar.

O Reino Unido tem o maior número de mortes por coronavírus na Europa, com mais de 46.700 óbitos, tendo ultrapassado um milhão de casos confirmados de coronavírus no sábado e confirmado outras 23.254 novas infeções nas últimas 24 horas.

Como em outros países europeus, os casos de covid-19 no Reino Unido começaram a aumentar depois que as medidas do primeiro confinamento foram atenuadas no verão e as pessoas começaram a voltar aos locais de trabalho, escolas, universidades e vida social.

Nas últimas semanas, o número de novas infeções aumentou rapidamente em todo o continente europeu, especialmente na Bélgica, República Checa, França, Espanha e Reino Unido.

Johnson esperava que as restrições regionais introduzidas em outubro, principalmente no norte da Inglaterra, fossem suficientes para diminuir o número de novas infeções.

Porém, consultores do Governo preveem que, na atual trajetória do surto, a procura de camas hospitalares excederá a capacidade até à primeira semana de dezembro, mesmo que os hospitais temporários criados no primeiro pico da pandemia sejam reabertos.

“Sem agirmos, poderemos ver as mortes neste país chegarem a vários milhares por dia”, disse Johnson ao anunciar o confinamento durante uma entrevista na televisão no sábado à noite.

Mas os donos de bares, restaurantes, teatros e academias dizem que as medidas serão devastadoras.

O programa do Governo que pagou os salários de milhões de funcionários dispensados durante a pandemia foi alargado durante o novo confinamento, mas muitas empresas dizem que isso não é suficiente, especialmente nas artes, onde a maioria das pessoas trabalha como ‘freelancers’.

Mark Davyd, executivo-chefe da Music Venue Trust, instou o governo a oferecer à indústria de eventos ao vivo mais apoio financeiro, como tem sido feito na França e na Alemanha.

“Esperamos detalhes urgentes dos ministros sobre o pacote financeiro que protegerá as empresas e meios de subsistência nesta indústria britânica vital e líder mundial”, disse.

Também hoje, o governo e a empresa de transportes de Londres fecharam um acordo para manter os autocarros e o metro a funcionar na capital, onde o número de passageiros diminuiu por causa da pandemia.

O pacote de financiamento, que mistura subvenções e empréstimos, no valor de 1,8 mil milhões de libras (quase dois mil milhões de euros) é destinada a manter o sistema a operar até o final de março.

O novo confinamento precisa da aprovação do Parlamento, estando a votação marcada para quarta-feira. Alguns membros do Partido Conservador de Johnson opõem-se a restrições mais rígidas por causa das consequências económicas, mas o Partido Trabalhista, o principal partido da oposição, já anunciou que votará a favor do novo confinamento.

As restrições serão aplicadas à Inglaterra. O País de Gales e a Irlanda do Norte já estavam em confinamento e a Escócia encontra-se sob um conjunto de duras restrições regionais.

Comments

be the first to comment on this article

Deixe o seu comentário:

Go to TOP
Translate »