NEM NA COVA TÊM DESCANSO…

por DANIEL SANTOS
19 Outubro 2020

Neste último Domingo, à noite, a PSP foi chamada ao bairro Cova da Moura. Ali se realizava festa de arromba que reunia cerca de 300 pessoas – das garrafas de cerveja, de vinho, de whisky, de vodka ou de rum não há registo da quantidade, como igualmente não se sabe quantos gramas de marijuana, haxixe, coca, crack, metanfetaminas, LSD e outras guloseimas idênticas ali se fumavam, se injectavam ou snifavam. Tratar-se-ia, julgamos, de mais uma confraternização inocente, igual a tantas outras que se registam nos chamados “bairros sociais”, onde, como o próprio nome indica, se deverá dar prioridade à socialização. Com distância ou sem distância, isso pouco importa, a Direcção-Geral da Saúde já tem os futebóis, as festas religiosas, os concertos, os casamentos e os baptizados com que se preocupar – e proibir – deixem-se pois os jovens, os menos jovens, os adultos, os de meia idade, os velhotes e as criancinhas conviverem à grande e à portuguesa, mais infectada não ficará com certeza aquela zona da Amadora onde o bichinho cresce e se dá às mil maravilhas, tendo-se já chegado ao ponto de o exportar para concelhos limítrofes…

Mas voltemos à festa, inopinadamente interrompida por uns malandros fardados, que, note-se bem, ainda conseguiram deter duas ou três pessoas! Dos bófias não rezará a História, sabe-se apenas que foram recebidos com exuberante fogo de artifício – tiros, pedradas, garrafas pelo ar e rebentamentos de petardos coloriram o céu escuro nessa noite de Domingo em que um dos agentes terá sido atingido, provavelmente ao tentar apanhar as canas dos muitos foguetes que ali rebentaram.

Finda a festança – que foi envergonhadamente noticiada nos jornais e nalguns canais de televisão – esperava-se que no dia seguinte as capas dos matutinos, as páginas dos jornais online e os vídeos televisivos nos mostrassem as peripécias ali ocorridas e que resultaram numa megaoperação policial, depois dos primeiros agentes que ali se deslocaram terem sido obrigados a recuar e a pedir reforços, tal a descortesia com que haviam sido recebidos. Porém, consultada a quase totalidade da nossa politicamente correcta comunicação social, não se vê uma foto dos acontecimentos, um instantâneo da balbúrdia, um vídeo explícito do que ali se passou – existe, de facto, uma filmagem tosca da detenção do presumível dono do bar que alimentava a orgia… e umas dezenas de fotos de circunstância, onde apenas se vêem alguns polícias, as suas viaturas, as suas armas, as ramonas paradas e as ruas desertas. Num ápice, 300 pessoas desapareceram sem deixar rasto e sem o mediático filmezinho para publicar nas redes sociais – bem sabemos que era de noite, talvez os fotógrafos se tenham esquecido de levar os flashes, talvez a escuridão nocturna não dê para filmar coisas menos claras, talvez os cameramen estejam proibidos de filmar os “afro-portugueses” que ali habitam, talvez as direcções dos jornais e das televisões tenham receio e cobardia de mostrar, preto no branco, o que ali se passou!

Quanto à PSP, coitada, terá ficado a perceber que não deve frequentar festas para que não foi convidada, terá entendido que há “bairros problemáticos” onde a sua presença não é desejada nem respeitada, e terá finalmente compreendido que nem na cova os polícias têm direito a um merecido descanso…

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