AS FOTOGRAFIAS DE ANTÓNIO BARRETO

por DANIEL SANTOS
13 Outubro 2020

A RTP, tão criticada – e com alguma razão – por fornecer pouca matéria editorial que se possa considerar como verdadeiro serviço público de televisão, ofereceu-nos ontem uma excelente entrevista com António Barreto, o tal ministro que, há longos anos, pôs a cabeça em água aos fervorosos comunistas que pretendiam transformar o Alentejo em coutada privada do PCP, expulsando os execráveis latifundiários de então, tomando-lhes as terras e outros bens, tudo a bem da nação soviética que pretendiam implantar neste país, ainda ingénuo, na altura, no que diz respeito à ferocidade e oportunismo das revoluções marxistas que ocorreram por esse mundo fora…

António Barreto, nos anos pouco avisados da sua juventude, juntou-se aos comunistas e por eles se bateu… até perceber ao que vinham e como vinham. Jovem, idealista e progressista, por lá andou, dentro e fora do país, aprendendo a cartilha que ainda hoje dita a ideologia do velho e relho PCP, cuja doutrina vem perdendo crentes por todo o mundo, exceptuando, claro, este nosso patético Portugal onde um tal Jerónimo, feito guerreiro apache, continua a cavalgar a condescendência deste povo adormecido que aceita democraticamente a sua irrelevante existência. Barreto, no pouco que falou sobre o PCP, disse tudo! Mas foi sobre a chamada Reforma Agrária, que ele próprio classificou como autêntico roubo perpetrado por “agricultores” sem escrúpulos, que Barreto nos recordou aqueles tempos, ferozes, em que os comunistas, comandados pelo camarada Vasco Gonçalves, devidamente instruído pelo “histórico” Cunhal, havia já tomado o poder, para gáudio dos tenebrosos soviéticos que, a partir de Moscovo, sonhavam dominar o mundo – já o querido líder Estaline tinha sonhado o mesmo, assinando com o abominável Hitler um pacto de não agressão que mais não era do que a megalómana intenção de partir a Europa, e o Mundo, aos bocadinhos, este naco para mim, aquele pedaço para ti, Hitler e Estaline unidos na mesma loucura de que hoje pouco ou nada se fala mas que a História jamais esquecerá!

Lambidas as feridas que o comunismo lhe causara, Barreto virou-se para o socialismo, nesses conturbados tempos a arma mais eficiente – como mais tarde se comprovaria – para combater, e derrotar, o imperialismo soviético que então minava o povo mais pobre e iletrado, que dominava grande parte das Forças Armadas e que subjugava as instituições. Foi deputado, secretário de Estado, ministro e de ministro o tiraram, zangou-se com Mário Soares, de quem lembrou a sua apetência pelo poder e a sua pouco criteriosa postura política ao pretender dar-se bem com tudo e com todos desde que os seus intentos fossem conseguidos. A zanga com Soares terá durado um lustro (pelo meio juntou-se a Sá Carneiro e à AD), mas depois de feitas as pazes ao apoiar Soares para a presidência, Barreto entendeu que a política não era a sua praia e retirou-se do meio – as praias são boas para Marcelo e outros políticos que preferem dar umas braçadas no mar escalpelado onde Costa navega do que na mansidão de um certo rio que corre o risco de se transformar numa ribeira seca que nem para molhar os pés servirá!

Odiado pelos comunistas e ignorado pelos socialistas, António Barreto é hoje um homem sereno, calmo, culto, verdadeiro, honesto, um apaixonado pela vida, pelo saber, pelas pessoas, pela fotografia – e na entrevista de ontem forneceu-nos belos instantâneos dos tempos em que viveu na política, deu-nos excelentes retractos de alguns poderosos de antanho e mostrou-nos, a cores, as fotografias do que poderá vir a ser este triste Portugal que ainda considera a sua casa.

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