CÉREBROS BRITÂNICOS DEIXAM O REINO UNIDO E RUMAM À UNIÃO EUROPEIA

Londres, 05 ag 2020 – O número de britânicos que emigraram para os países da União Europeia disparou após a votação do Brexit em 2016, de acordo com um estudo no Reino Unido divulgado na passada terça-feira – um êxodo comparável aos causados em tempos de grandes crises sociais ou económicas.

Uma análise das estatísticas oficiais provenientes da parceria entre a Universidades de Oxford em Berlim e do WZB, Social Science Center de Berlim, indica que a migração do Reino Unido para outros países da UE aumentou 30%, de cerca de 57.000 por ano, em 2008-2015, para mais de 73.000 entre 2016-2018. A Espanha registou o maior número de entradas de britânicos, seguida pela França.

“Estes números são aumentos da magnitude que se esperaria quando um país é atingido por uma grande crise económica ou política”, disse o co-autor do relatório Daniel Auer.

A migração entre os 27 países que agora permanecem na União Europeia permaneceu relativamente estável durante o mesmo período, segundo os pesquisadores.

O número de britânicos em busca de passaportes de países da UE também aumentou mais de 500%. Na Alemanha, houve um aumento de 2.000%.

A notícia da AP (Associated Press) revelou as conclusões de um estudo elaborado pela Universidade de Oxford e o Centro de Ciência Social de Berlim (Alemanha) a partir de dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e o Eurostat.

O maior aumento registou-se com a saída de britânicos para Espanha, onde se calcula que agora residam 380.000, apesar de este número poder variar por não ser obrigatório um registo junto às autoridades para viver no país.

No entanto, os dados oficiais disponíveis indicam que a média anual entre 2008-2015 foi de 2.300, enquanto que após o referendo, entre 2016-2018, a emigração de britânicos para Espanha multiplicou-se por cinco, até 21.250.

O segundo destino comunitário mais popular para os britânicos foi a França, que também não obriga os cidadãos da UE a registarem-se e onde esses números aumentaram nos referidos períodos de 500 até 5.000, respectivamente.

Auer e o co-autor Daniel Tetlow assinalam que o estudo “revela que o Reino Unido enfrenta uma potencial fuga de cérebros de cidadãos britânicos altamente qualificados, que decidiram investir o seu futuro na Europa continental”.

Comments

be the first to comment on this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP
Translate »