Covid-19: CONFUSÃO ENTRE SAÚDE E TURISMO EM PORTUGAL PODE AFASTAR PORTUGAL DE UM CORREDOR AÉREO COM O REINO UNIDO

Londres, 27 jun 2020 (Lusa) – Todos os dias somos fulminados por notícias que dizem e se contradizem sobre o tema dos corredores aéreos, que o Reino Unido, tem por intenção abrir com países que garantam a segurança necessária para os seus cidadãos. Corredores que permitem aos turistas britânicos evitar a quarentena no regresso ao país, e cujo anúncio o Governo vai comunicar na segunda-feira.

A maioria dos mais importantes órgãos de comunicação social lançam hoje, antes de anunciada, a lista onde indicam a Espanha, França, Grécia, Itália, Alemanha, Holanda, Bélgica, Finlândia, Noruega e Turquia como as rotas escolhidas, sem figurar Portugal.

Desde 08 de Junho que todas as pessoas que chegam do estrangeiro ao Reino Unido, incluindo britânicos, são obrigadas a permanecer em isolamento durante 14 dias para reduzir a probabilidade de contágio da covid-19.

Caso não respeitem a quarentena, incorrem numa multa de cerca de 1.000 euros.

Tal como já noticiámos anteriormente, um porta-voz do governo afirmou que as novas regras vão dar aos britânicos “a oportunidade de umas férias de verão no estrangeiro”, mas frisou que o alívio de medidas depende da manutenção de um risco baixo de propagação do vírus.

O Governo “não hesitará em travar” as novas regras se a situação epidemiológica evoluir desfavoravelmente.

No entanto, segundo a BBC hoje, a Grécia, através do seu ministro de Turismo, Haris Theoharis, diz que o seu país só estará preparado a receber os turistas britânicos daqui a três semanas. A Espanha apresentou hoje 191 novos casos, a Itália 175 e a Grã-Bretanha 890. Na verdade, Portugal tem registado um aumento de infecções, mas os 323 novos casos registados hoje, na maioria na região de Lisboa, parecem tão controlados como os de Espanha, França, Grécia, Itália e na maioria dos países na Europa, para já não falar na Alemanha.

Depois, lembramos o que Paul Charles, da PC Agency, afirma ao considerar esta decisão como ilegal, porque  “restringe o movimento a alguns corredores, mas também é impraticável, porque eu poderia simplesmente utilizar a Espanha e viajar para a maior parte da EU, de qualquer maneira”.

Quanto a Portugal, a BBC reconheceu, também, que nada impede um turista britânico de viajar para um aeroporto em Espanha, seguir de automóvel até Portugal e, depois das férias, regressar ao seu país da mesma forma, de carro até Espanha e, daí, de avião para o Reino Unido.

A secretária de Estado do Turismo de Portugal, Rita Marques, frisou à BBC que Portugal foi nomeado o destino mais seguro da Europa pelo Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) e é um “destino ’clean & safe’”.

“Alguns países estão nesta lista e Portugal está a lutar por um lugar”, disse a secretária de Estado, acrescentando que a situação está “completamente sob controlo” e está a ser feito um número significativo de testes.

Só que se esquece que, em declarações à imprensa, a sua colega da saúde, Marta Temido, diz estar com “dificuldade em quebrar as cadeias de transmissão, estão a manter-se relativamente persistentes”, pondo em perigo a posição portuguesa face aos concorrentes turísticos e a contradizer o que a responsável de turismo disse hoje.

Vale-nos o sector de viagens e turismo britânico, que tem criticado a abordagem do governo às viagens para países europeus, considerando “encorajadora” a abertura de corredores aéreos, mas pedindo que eles sejam alargados a mais países, nomeadamente Portugal, destino de cerca de 3 milhões de turistas britânicos anualmente.

Por isso, vamos ter de esperar até segunda-feira e esperar que o Governo britânico tenha algum senso comum e dê a Portugal o benefício da dúvida e escute o que a maioria dos órgãos mundiais de turismos dizem sobre o nosso país: um destino “clean&safe”.

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