Reino Unido: MINISTRO DAS FINANÇAS TRAÇA UM FUTURO NEGRO PARA A ECONOMIA DA GRÃ-BRETANHA

O cenário negro, em consequência da crise do coronavírus no Reino Unido, vai-se tornando mais claro a cada dia que passa – à medida que o PIB entra em queda livre, a dívida pública sobe acima 2 triliões de libras e milhões de pessoas ficam desempregadas.

Previsões apocalípticas do Banco de Inglaterra e de outros países mostram que o Reino Unido está no caminho da pior recessão em 300 anos, quando a ‘pequena idade do gelo’ varreu a Europa.

O ministro das finanças, Rishi Sunak, alertou que abrirá uma ferida “do tipo daquelas que doem mas não se veem”, enquanto o Instituto de Estudos Ficais (IFS) descreve o colapso iminente da economia como uma ‘mega-recessão’ ou uma ‘recessão acima de todas as recessões’.

Enquanto isso, o Instituto Nacional de Estatíscas (ONS) revelou ontem que o número de pessoas que solicitaram subsídios de desemprego disparou para um recorde de 856.500 a 2,1 milhões no primeiro mês do isolamento obrigatório durante o coronavírus – apesar do esquema de licenças de trabalho em que o Estado financia milhões para manter-lhes o emprego.

Enquanto isso, o ONS disse que de Fevereiro a Abril houve a maior queda nas ofertas de emprego desde que registos são conhecidos em 2001, de 170.000 para 637.000.

Apresentando a actual situação aos colegas ontem, Sunak deu-lhes uma visão sinistra da crise e um aviso sombrio de que talvez não iria haver um “recuperação rápida” da economia.

Destacou que esta crise deixará a suas “cicatrizes”, que “levarão tempo” a curar, mesmo quando tudo voltar ao normal depois do fim do bloqueio.

Adiantou também que as previsões de desemprego rondarão percentagens de “dois dígitos” até o final do ano.

O órgão de controle orçamental do Governo (OBR),  publicou um “cenário” que apontava para a queda de um terço do PIB, por motivo das restrições draconianas para impedir a propagação da doença e estrangular o vírus.

Embora o OBR e o Banco da Inglaterra predigam uma rápida recuperação assim que o bloqueio for levantado, as previsões ainda significam uma contracção de 12,8% em 2020 – superando o impacto da crise de crédito em 2007/8, Segunda Guerra Mundial, Primeira Guerra Mundial e Gripe Espanhola.

Os cálculos também sugerem que a dívida pública em 2020-21 chegará a £298,4 biliões.

O aumento é impulsionado em grande parte pelo esquema de subsídios ao sistema de licenças, que apoia 7,5 milhões de empregos e deve custar 50 biliões de libras.

Neste cenário a dívida pública atingirá um tecto, segundo os últimos números oficias conhecidos, de mais de 110% do PIB em Setembro, no valor de mais de 2 triliões de libras nas próximas semanas – quatro vezes mais do previsto no orçamento em Março.

Mesmo assim, os Conservadores insistem que os impostos não devem ser aumentados para cobrir o buraco financeiro, na voz do ex-líder do partido, Sir Iain Duncan Smith, que diz que os passivos financeiros do combate à doença devem ser tratados como uma “dívida de guerra”, a ser autorizada a recuperar ao longo de décadas .

Mas Sunak disse que não está claro quanto tempo os efeitos sobre a economia prevalecerão. “Quanto maior a recessão, maior a probabilidade de cicatrizes”, disse ele.

Sunak disse que o Reino Unido está enfrentando “uma severa recessão como jamais vista”.

Sobre a recuperação, ele diz que ‘todos esperamos que seja o mais rápido e estável possível. Não é óbvio que haverá um retorno imediato. Levará tempo para voltar ao que era antes”.

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