Opinião: JOHNSON DEFINIRÁ AMANHÃ O NOSSO FUTURO A CURTO PRAZO

Pelo que temos ouvido da voz de vários ministros, nas conferências de imprensa diárias do coronavírus, da comunicação social e outros sectores políticos, este domingo não se esperam grandes mudanças. Tanto porque o primeiro-ministro, depois de ter estado, gravemente enfermo, nos cuidados intensivos com o vírus e daí ter contraído um estado psicológico de fobia ou medo excessivo no diz respeito a este surto, não se pode esperar muito do que irá acontecer, no discurso de Boris Johnson à nação no Domingo, onde apresentará o plano do Governo para o afrouxamento das medidas restritivas contra  a propagação do coronavírus.

No que temos conseguido tirar de algumas declarações, a mensagem de domingo será bastante suave e evasiva, não só porque Boris tem um medo terrível que qualquer da suas decisões possa provocar uma segunda onda de coronavírus, por outro lado, como bom político que é, as sondagens de opinião pública indicam que uma maioria de 70% dos britânicos não querem o levantamento das restrições.

Por isso, o primeiro-ministro irá empurrar o público para o isolamento por mais três semanas até ao fim deste mês. Entretanto, para parecer que o processo de abertura já começou libertará algumas dessas restrições, no que diz respeito à abertura dos “Garden Centres”, autorizará os exercícios ao ar livre, que na maioria já eram facto adquirido, enviará os filhos do ‘trabalhadores chave’ (key workers) para a escola, o que já acontecia, autorizará os mercados ao ar livre, sob algumas restricções, aceitará as compras nos centros das cidades, que também já estava em vigor para certas actividades, e, finalmente, autorizará a abertura de muitas empresas que, por sua vez, a maioria já tinha furado o isolamento. Tudo isto, desde que sejam mantidas as distâncias determinadas entre as pessoas. Hoje, fontes ministeriais informaram que será imposto um regime de quarentena de 14 dias a todos os viajantes que cheguem ao Reino Unido procedentes de qualquer país, excepto da Irlanda 

Numa segunda fase, que se julga ser no final de Maio, autorizará a abertura faseada das escolas primárias, desde que número de crianças por aula diminua  consideravelmente. Também serão liberalizados os desportos ao ar livre em geral, como o ténis e o golf.

Numa terceira fase, no final de Junho, serão abertas as escolas secundárias, os aglomerados, encontros, festas até 30 pessoas, abrirão os cafés e a Primeira liga de futebol terá os seus jogos à porta fechada.

A 31 de Agosto abrirão os Pubs (bares) e restaurantes.

Por fim, a 1 de Outubro será a liberalização total abrindo as restantes áreas da economia, ginásios e grandes eventos ao vivo.

Estas cinco fases vão decerto ter um impacto negativo na economia e no emprego, já que muitas destas empresas, a menos que sejam subsidiadas pelo Estado, ficarão pelo caminho, na bancarrota ou sem capital de giro para iniciarem a actividade.Só então veremos o esforço que este país fará e a custo de quem, para ultrapassar todas as dificuldades que  não são muito difíceis de prever.

No Domingo, a menos que grandes surpresas daí venham, vamos com certeza ver um governo cauteloso e prudente face ao surto, sem grande vontade em liberalizar a economia e arriscar a saúde pública. Mesmo que para isso volte ao financiamento da assistência social necessária para subsidiar milhões de pessoas sem trabalho e sem retorno. E que tenha de iniciar a criação do seu tecido industrial que terá de sair de uma situação de perda, muito debilitado ou sem futuro, desta crise pandémica.

Por fim, e como não fosse ainda suficiente, teremos o Brexit no final do ano que todos sabemos trará outros entraves e recuos para a economia e que o governo nos tinha vindo a preparar antes do coronavírus. A não ser que o bom senso perdure e este Governo estenda o período de transição, como tem sugerido a UE. Porque pelo que temos lido na imprensa britânica, o Governo britânico continua determinado em sair definitivamente no final do ano.

Penso que estamos todos de acordo, 2020 será um ano para recordar por muito tempo e que marcará, por certo o sacrifício de algumas gerações.

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