Covid-19: REINO UNIDO ATINGE O MAIOR NÚMERO DE MORTES NA EUROPA

Depois da União Europeia vir dizer ontem que o pico da pandemia ainda não tinha atingido o topo no Reino Unido, hoje, o Serviço Nacional de Estatísticas (ONS) britânico afirma que o Reino Unido tem agora o maior número de mortes de coronavírus na Europa, depois de revelar que mais de 32.000 pessoas morreram no surto.

Para isso, o ONS afirma que 29.648 mortes foram registadas na Inglaterra e no País de Gales, até 2 de Maio, com o Covid-19 mencionado nos atestados de óbito. Se adicionarmos a estas as mortes na Escócia e na Irlanda do Norte o número total de mortos no Reino Unido chega a 32.313, segundo os cálculos publicados pela agência de notícias Reuters.

Esse número excede em muito o número de mortes de 29.029 na Itália – até agora o país mais atingido na Europa. Se bem que o total da Itália não incluir casos suspeitos, que são considerados nos 32 mil no Reino Unido.

Ministros e especialistas alertaram contra as comparações internacionais, dizendo que o número de excessos de mortalidade – o número de mortes de todas as causas que excedam a média anual da época – é um indicador mais significativo.

Só que os últimos números do ONS, para a semana que termina em 24 de Abril, indicam 21.997 mortes, mais 11.539 que a média daquela semana. No entanto, o número total semanal de mortes diminuiu, então, ligeiramente para 354 mortes. Esta foi a primeira diminuição nas mortes semanais desde o início do surto e confirma outros números que mostram que o Reino Unido teria ultrapassado o pico de infecções.

Os números também demonstram que as mortes nos hospitais cresceram mais lentamente na semana que terminou em 24 de Abril, em comparação com os da semana anterior e as mortes em lares de idosos por todas as causas aumentaram de 595 para 7.911.

Das mortes por coronavírus registadas até 1 de maio na Inglaterra e no País de Gales, 6.686 ocorreram em casas de repouso, o que representou nessa altura 22,5% de todas as mortes de vírus, segundo os números do ONS.

A vice-líder do Partido Trabalhista, Angela Rayner, médica, twittou que os números referentes às casas de repouso mostravam que não “tinha sentido” falar em ter passado o pico do surto, como Boris Johnson afirmou na semana passada.

Pela primeira vez nessa semana, o governo começou a incluir dados sobre mortes fora de hospitais, nos casos em que as pessoas tinham testado positivo para o coronavírus, nos números totais diários de mortes do vírus.

No entanto, é preciso realçar que os números do ONS incluem todas as mortes em que o Covid-19 é mencionado nos atestados de óbito.

A Itália rapidamente se tornou o centro do surto de coronavírus na Europa, com as primeiras mortes no final de Fevereiro, e foi o primeiro país europeu a entrar em isolamento.

À medida que o número de mortos aumentava, também aumentou o número de artigos que revelavam o que havia de errado. A grande população envelhecida da Itália, a cultura de iterações sociais estreitas e as cidades densamente povoadas, a falta de tempo para se preparar e a lenta resposta inicial do combate ao vírus estão entre os motivos citados pelos quais o país foi tão afectado.

Dizia-se que o Reino Unido deveria aprender com a Itália. Mas agora, ao que parece, percebe-se que não foi o caso.

Jenny Harris, vice-directora dos serviços médicos na Inglaterra, alertou contra comparações internacionais.

Falando aos deputados minutos após a divulgação dos números do ONS, ela disse: “É extremamente difícil comparar os países no momento. Não podemos só olhar os números, mas também os rácios. O óbvio é a idade e as taxas de mortalidade por milhão de habitantes normalmente utilizadas. Esses não são os números que vimos agora descritos, por isso é realmente difícil fazer comparações directas. ”

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