Covid-19: 14% DOS DOENTES NA CHINA VOLTAM REINFECTADOS

Um número crescente de doentes de coronavírus com alta hospitalar na China e noutros pontos do mundo, estão a voltar ao sistema de saúde apresentando resultados positivos após a recuperação, às vezes semanas após terem tido a licença para deixar o hospital, o que a confirmar-se em grandes números poderiam ser um factor importante que dificultaria a erradicação da epidemia.

Na quarta-feira, o governo da província de Osaka, no Japão, afirmou que uma mulher que trabalha como guia num autocarro de turismo tinha registado um teste de coronavírus positivo pela segunda vez. A isto ,seguiram-se aos relatórios tornados públicos na China de que alguns dos pacientes, que receberam alta em todo o país, estavam a apresentar testes positivo depois da alta do hospital.

Um funcionário da Comissão Nacional de Saúde da China disse na sexta-feira que esses pacientes não são considerados infecciosos.

Especialistas dizem que há várias maneiras pelas quais os pacientes, que recebem alta, podem adoecer novamente com o vírus. Os convalescentes podem não acumular anticorpos suficientes para desenvolver imunidade ao SARS-CoV-2 e, por isso, são infectados novamente. O vírus pode também  ser “bifásico”, o que significa que permanece adormecido antes de criar novos sintomas.

Mas alguns dos primeiros casos de “reinfecção” na China foram atribuídos a discrepâncias nos testes.

Em 21 de Fevereiro, um paciente que recebeu alta na cidade de Chengdu, no sudoeste da China, foi readmitido 10 dias, após receber alta, quando voltou para um teste de acompanhamento apresentava resultado positivo.

Lei Xuezhong, vice-directora do centro de doenças infecciosas do Hospital Oeste da China, disse ao People’s Daily, que os hospitais estavam testando amostras do nariz e garganta antes de decidir se os pacientes deveriam receber alta, e que os novos testes apontavam para resíduos do vírus no aparelho respiratório inferior.

Paul Hunter, professor de medicina da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, acompanhando de perto o surto, disse à Reuters que, embora a paciente em Osaka possa ter tido uma recaída, também é possível que o vírus ainda estivesse a circular no sistema desde o início, ou que a infecção não ter sido testada correctamente antes de receber alta.

Um estudo do ‘Journal of American Medical Association’, de quatro profissionais médicos infectados tratados em Wuhan, o epicentro da epidemia, disse que é provável que alguns pacientes recuperados continuem sendo portadores, mesmo após cumprir os critérios de alta.

Na China, por exemplo, os pacientes devem apresentar resultados negativos, não apresentar sintomas e não apresentar anormalidades nos raios-X, antes de receberem alta.

Allen Cheng, professor de epidemiologia de doenças infecciosas na Universidade Monash, em Melbourne, disse que não está claro se os pacientes foram reinfectados ou se permaneceram “persistentemente positivos” após o desaparecimento dos sintomas. Mas diz que segundo os detalhes do caso no Japão sugerem que o paciente foi reinfectado.

Song Tie, vice-director do centro local de controle de doenças da província de Guangdong, no sul da China, disse em entrevista à imprensa na quarta-feira que 14% dos pacientes que receberam alta na província testaram positivo novamente e voltaram aos hospitais para observação.

Acrescentou que um bom sinal é que nenhum desses pacientes parece ter infectado mais ninguém.

“Com esse entendimento … depois que alguém ser infectado por este tipo de vírus, produz anticorpos e, depois desses anticorpos serem produzidos, não deveria haver mais forma de contagio”, disse ele.

Normalmente, pacientes em convalescença desenvolvem anticorpos específicos que os tornam imunes ao vírus que os infectou, mas a reinfecção não é impossível, disse Adam Kamradt-Scott, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Sydney.

“Na maioria dos casos, porque o corpo deles desenvolveu uma resposta imune à primeira infecção, a segunda é geralmente menos grave”, disse Kamradt-Scott.

Outros especialistas também levantaram a possibilidade de “aperfeiçoamento dependente de anticorpos”, o que significa que a exposição ao vírus pode aumentar o risco de infecções e piores sintomas.

Até agora, a China recebeu 36.117 pacientes, segundo os dados da Comissão Nacional de Saúde divulgados na sexta-feira, o que representa quase 46% do total de casos no continente chinês. Se a taxa de reinfecção de 14% for precisa e permanecer consistente, isso poderá representar um risco maior à saúde.

“Eu diria que é menos provável que a reinfecção possa ocorrer com a frequência do vírus como agora se verifica”, disse Cheng. (com XANGAI / LONDRES -Reuters)

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