POUCO PULIDO MAS MUITO VALENTE

Foi, sem dúvida, dos mais brilhantes cronistas que tive o prazer de ler e ouvir ao longo de vários anos. Pouco pulido e muito valente, escrevia o que lhe ia na alma, sem medos ou complexos, indiferente ao politicamente correcto que agora vigora e vai garantindo emprego a muita boa (má) gente. Da esquerda à direita, a todos teceu críticas cáusticas e justificadas, chamou os bois pelos nomes e as suas palavras muitas vezes serviram de canga a certos ruminantes políticos e intelectuais que não lhe aguentavam o peso e que dela fugiam a sete patas, escondendo o pescoço sob os engomados colarinhos brancos que ainda hoje vão tapando a sujidade que ameaça transformar Portugal no tal país de merda que muitos criticam mas do qual não arredam pé. Ou patas…

Vasco seria pouco pulido… mas era muito valente – no horizonte, neste horizonte cinzento que cada um vai pintando à sua maneira, certamente não surgirão tão cedo as pinceladas firmes, coloridas e reais que Vasco Pulido Valente tão bem soube espalhar naquele papel que hoje é apenas usado para limpar o traseiro dos poderosos, para embrulhar castanhas ou para veicular as opiniões manhosas e maldosas de quem odeia o nosso país mas que dele se vai servindo para mediatismos efémeros, usufruindo da atenção que não é concedida aos inúmeros problemas que urge solucionar neste belo e solarengo rectângulo à beira-mar plantado.

E que só cheira a merda a certas ventas largas e carnudas que parece terem esquecido quão incomodativo era o odor a catinga que os seus mal lavados sovacos exalavam.

DANIEL SANTOS

 

 

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