OPINIÃO: BLACK&WHITE

Adeus Chivas Regal, Grant’s, Jameson e J&B; adeus Ballantines, Logan, Cutty Sark, Bussmills e Monks; adeus James Martin, Old Parr, Jack Daniel’s e Glenfiddich – adeus whiskies dos meus sonhos e dos meus pesadelos, a todos vós agora renego, amargas e amareladas criaturas que tantas ressacas me causaram, num despertar em que a boca me sabia a papéis de música e a bílis e os intestinos imploravam por um qualquer buraco, em cima ou em baixo, donde pudessem expelir os líquidos e os gases que fermentavam no meu estômago…

Adeus, velhos whiskies, que me proporcionaram animadas zangas, algumas rixas, ternurentas e alcoolizadas beijocas, avanços a que a sobriedade jamais se atreveria; adeus velhos whiskies, meus grandes amigos de maus e bons momentos, meus companheiros no mato e na cidade, ao mesmo tempo bons e maus conselheiros, umas vezes amargos, muitas delas apenas deliciosos; adeus, meus velhos amigos, adeus minhas marcas preferidas, adeus meus vasilhames artísticos que, a partir de agora, apenas servirão de decoração ao pequeno bar para onde passarei a olhar com saudade… e muita água na boca.

Obrigado, Marega, por me levares a esta introspecção que nunca tive coragem de assumir, obrigado Marega por teres acordado este país de merda que, num ápice, se tornou mais racista do que o Mississipi, mais criminoso do que o Ku Klux Klan, mais esclavagista do que os romanos e os muçulmanos de antanho, obrigado Marega por te revoltares contra aqueles energúmenos que te recordaram que és preto e disso te devias orgulhar, obrigado Marega por nos teres demonstrado que, afinal, és um homo erectus e sapiens como eu e como todos nós, que falas e não grunhes e que até comes bananas à sobremesa, depois de um bom bife com ovo a cavalo!

Obrigado, Marega, por zelares pela minha saúde e me levares a desistir de emborcar todas aquelas marcas de whisky (e mais umas tantas que não enumerei), a partir de hoje juro-te que só beberei Black&White, não quero que apareça por aí um qualquer primeiro-ministro, um qualquer Presidente da República, um qualquer deputado, um qualquer psicólogo, um qualquer comentador, um qualquer analfabeto, uma qualquer Joacine ou um qualquer Mustafá a chamarem-me racista.

Já agora, e por coerência, também vou passar a beber apenas Sagres e Superbock preta.

Abaixo o racismo! – perceberam bem seus portugueses de merda?

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