ENTREVISTA:“Não tenho particular entusiasmo em ser deputado” – Rui Rio, PSD

O líder do PSD afirmou que a função de deputado não o entusiasma, mas irá assumir o cargo, fazendo depender a continuidade no parlamento do seu futuro político, que decidirá na sequência dos resultados eleitorais.

Em entrevista à agência Lusa, Rui Rio foi questionado como encara o seu regresso à Assembleia da República – foi deputado entre 1991 e Janeiro de 2002, quando saiu para assumir a presidência da Câmara do Porto -, quase duas décadas depois.

“Não tenho um particular entusiasmo em ser deputado, não tenho. Fui deputado dez anos numa altura em que o parlamento tinha um nível qualitativo inferior ao que tinha tido antes, mas muito superior àquilo que tem hoje. Se mesmo quando eu saí, já achava que o parlamento se estava a degradar e não entusiasmava assim tanto, entretanto ainda se degradou mais, não é função que me entusiasme completamente”, afirmou.

Ainda assim, Rio irá assumir o mandato – é número dois pelo Porto –, mas garante que não faria o que vê muitos fazer, no seu partido e em outros, que é “até chorarem para serem deputados”.

Questionado se irá cumprir o mandato até ao fim, Rio não se compromete.

“Isso vai depender naturalmente daquilo que for o futuro do PSD e de eu próprio no PSD, poderei ficar ou não ficar de uma forma ou de outra”, afirmou.

Sobre o seu futuro político, Rio escusou-se a falar sobre cenários antes das eleições legislativas.

“O cenário mais provável não é nenhum. Eu estou aqui até o dia 06 de outubro para fazer o melhor resultado possível, sendo que o melhor possível é ganhar. O que acontece no dia 7, 8, lá mais para o dia 10, o que vou fazer depende da análise global que faça, que outros façam”, afirmou.

O líder do PSD rejeitou que possa tomar uma decisão a quente na noite das eleições sobre o seu futuro político – “não tenho 30 e tal anos nem 40” –, se os resultados forem dentro de “padrões de normalidade”

“Se o PSD tivesse 10% também não era a quente, era a frio. Se tivesse 50% também não há decisão nenhuma a tomar, dentro do que são os padrões de normalidade logo se vê”, afirmou, em tom irónico.

Tal como já afirmara em entrevista à TVI, Rio explicou que a decisão que irá tomar dependerá da análise que fizer, após às eleições, se é ou não “útil ao país com esta função e com esta idade”.

Sobre as polémicas na constituição das listas, deixou a convicção de que nenhum líder do PSD até hoje teve a bancada que desejava a 100%, já que a escolha dos deputados resultado sempre resultou de negociações e equilíbrios.

“Desde Sá Carneiro até mim, passando por Cavaco Silva, nunca é a lista que o líder sozinho se pudesse fazer escrevia e mandava para conhecimento às distritais e depois ao tribunal”, assegurou, lamentando que não tenha sido possível incluir algumas pessoas que sempre lhe foram leais e a quem reconhecia valor.

O líder do PSD rejeitou ainda que não haja sinais de abertura na lista de deputados e, sem ter as contas feitas, admitiu que talvez metade dos cabeças de lista que escolheu não tenha sido sempre a seu favor, “entre os que estiveram com o Santana [Lopes, seu adversário na candidatura à liderança] ou que no ‘golpe de Estado’ de janeiro mudaram de lado”.

Esse ‘golpe’ refere-se ao desafio lançado em janeiro por Luís Montenegro para que Rio convocasse eleições diretas antecipadas, e que o líder classifica como “uma ação de desespero, tendo em vista condicionar as listas das europeias e as outras”.

Na campanha, não sabe se terá Montenegro a seu lado, e garante ainda não ter feito convites a ex-líderes para esse período.

“Não sei com quem é que vou estar ao lado, sou candidato pelo Porto, vou fazer a volta nacional, mas a minha obrigação é fazer um bocadinho mais no Porto”, disse.

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