BREXIT: OPOSIÇÃO PARLAMENTAR ABRE GUERRA A BORIS JOHNSON

Deputados trabalhistas e conservadores lideram a batalha para impedir uma saída da União Europeia sem acordo, concentrando-se em aprovar, no Parlamento, uma nova lei ‘radical’ que retire o poder ao primeiro-ministro, Boris Johnson, de decidir sobre o Brexit sem prévia aprovação da Câmara dos Comuns.

Na semana passada, como publicámos, foi discutido pelos parlamentares sobre quem deveria liderar um governo temporário para impedir um Brexit sem acordo, com os Liberais Democráticos e outros deputados a recusar o apoio a Jeremy Corbyn para primeiro-ministro interino.

No entanto, este fim-de-semana, os planos para propor uma nova legislação para impedir o Reino Unido de sair da UE é, na opinião de uma maioria de deputados, o caminho mais seguro e acreditam que Boris Johnson não será capaz de detê-los.

Membros do gabinete de sombra, da oposição, ministros do gabinete que foram demitidos com a chegada de Johnson e restante oposição, estão entre os que apoiam a estratégia em detrimento de um voto de desconfiança no primeiro-ministro. Acreditam que as tácticas da linha dura implementadas por Dominic Cummings, assessor de Boris e que dirigiu a campanha ‘Vote Leave’, podem pôr em causa um voto de destituição do actual executivo..

Assim, estes deputados planeiam aprovar uma lei obrigando o primeiro-ministro a solicitar o adiamento da data do Brexit, 31 de Outubro, e evitar uma saída sem acordo. No entanto, o desafio tem sido encontrar um dispositivo parlamentar que lhes permita fazê-lo. Não há garantias de sucesso, mas as tácticas incluem a alteração da votação relativa ao executivo da Irlanda do Norte, a alteração das ordens do parlamento e o uso de um debate de emergência para assumir o controle do calendário parlamentar – o que geralmente não é permitido pelo actual regulamento do parlamento.

As opções são de alto risco. Dominic Grieve, um membro do parlamento conservador que lidera os esforços, disse já ter recebido ameaças de morte como resultado das promessas de Johnson no que diz respeito ao Brexit.

É dito que o executivo de Boris está realizando reuniões diárias sobre como evitar que a legislação seja implementada em Setembro – e evitar que os deputados sequestrem os planos do Governo com medidas que se oponham à saída sem acordo. No entanto, os rebeldes acreditam poder ultrapassar qualquer legislação que seja, entretanto, apresentada pelo Governo para evitar a sua decisão.

No entanto, muitos dos deputados acreditam que a ideia de um Governo de unidade nacional seria a solução. Ambos os lados acreditam que implementando as duas soluções podem dar fim à possibilidade da saída da União Europeia sem acordo.

Na opinião de um ex-ministro conservador “no interior do partido haverá um grande debate sobre a economia e os actuais ministros vão ser confrontados, como o foram os de Theresa May. Eu acho que as pretensões de Cummings vão ser rejeitadas e, em seguida, os fios cruzados vão explodir” e inverter o curso dos acontecimentos.

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