Negociações entre Conservadores e Trabalhistas romperam: O QUE VAI ACONTECER AGORA AO BREXIT?

As negociações entre os conservadores e trabalhistas romperam e os planos de Theresa May em conseguir um acordo com maioria parlamentar chegaram ao fim. Apesar das acusações cruzadas da responsabilidade por não se ter chegado a uma solução, o Brexit volta à situação de impasse. Mais importante que as diferenças partidárias será o que irá agora acontecer e qual o futuro para o Reino Unido.

Em primeiro lugar e a perceber pelo que a primeira-ministra tem dito ao longo das negociações, entende-se que os deputados serão convidados a votar uma série de opções – possivelmente com a possibilidade de um segundo referendo.

O plano para os deputados considerarem uma série de possíveis opções do Brexit, em votos separados, será, apresentado na próxima semana. No entanto, os trabalhistas dizem que ainda não concordaram em apoiar este plano.

Sem o apoio dos trabalhistas será difícil que siga em frente. As duas primeiras tentativas instigadas por ‘backbenchers’ (deputados sem assento no governo), terminaram num impasse. Muito mais agora que ronda a promessa de Theresa May se demitir no próximo mês. Será que o seu sucessor – que poderia ter uma ideia muito diferente do Brexit – quer entrar na porta do ‘número 10’ (de Downing Street) com as mãos amarradas?

O governo prepara-se para apresentar o projecto de lei de acordo de retirada (Wab) – basicamente, pela quarta vez – na Câmara dos Comuns no dia 3 ou 4 de Junho. Se por um ‘milagre’ fosse alcançado um compromisso, o problema estaria resolvido e o novo primeiro-ministro poderia iniciar as negociações do tratado final. Só que tudo indica que o acordo de Theresa May vá ser, novamente, derrotado e… tudo ficará na mesma.

O foco, então, mudaria para uma disputadíssima eleição do novo líder dos conservadores que ocuparia boa parte do verão.  No caso de Boris Johnson ganhar, a possibilidade de um Brexit duro (saída sem acordo da UE) ganha forma, muito mais no caso do partido Brexit, de Nigel Farage, ganhar as eleições europeias da semana que vem, e os Conservadores ficarem em quarto ou quinto lugar. O novo líder, antes de se preocupar com o Brexit, certamente passaria algum tempo a elaborar um novo plano de negociações com Bruxelas e, em seguida, apresenta-lo-ia a votos no Parlamento. E isso finalmente resolveria a questão?

Aparentemente não. A saber pela posição da UE e quanto à aritmética dos Comuns nada vai mudar. Qualquer acordo do Brexit com Bruxelas que deixe de fora o plano de apoio irlandês receberá pouca atenção, enquanto os parlamentares já rejeitaram, por várias vezes, a ideia.

Como não vai haver apetite para um novo referendo, as eleições gerais serão a única solução para um novo primeiro-ministro, caso se mantenha o impasse da UE e o bloqueio parlamentar. Isso, então, levantaria outros imponderáveis, por exemplo, os trabalhistas poderiam fazer depender as eleições da promessa de um novo referendo do Brexit, situação que tem o apoio da maior parte dos seus membros e muitos parlamentares, mas a resistência de Jeremy Corbyn. Depois resta saber se os conservadores vão, naturalmente, buscar algum tipo de pacto com o novo partido de Farage, em que apenas uma minoria dos deputados estariam interessados e que leva a crer impossível.

Estas eleições teriam o condão de esmorecer a presente confusão e divisão política e estabelecer uma maioria parlamentar estável, que daria base para a negociação e implementação do Brexit, ou a realização de um novo referendo. Ou não… um resultado impraticável e a solução nas mãos de Deus ou do diabo! 

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