Brexit: O grande fiasco de Theresa May

Apesar do procurador geral, Geoffrey Cox, defender que a manutenção do “backstop” (a isenção) da fronteira com a Irlanda do Norte ser uma violação dos direitos humanos, certo é que, no caso de não serem acordadas algumas emendas ao texto do acordo entre o Reino Unido e a União Europeia, o voto no tratado de Theresa May com Bruxelas será certamente derrotado no parlamento, na terça-feira, próximo dia 12.

Tudo leva a crer que se aproximam dias de grande pressão e indefinição sobre o resultado do Brexit. Assunto que profundamente já enche a paciência da maior parte da opinião pública britânica. As principais promessas feitas ao eleitorado eurocéptico, durante o referendo de 2016, falharam e já é certo de que a campanha ‘dos medos’ sobre a ruptura com a UE se confirmaram. Agora teremos um voto no dia 12 – se este falhar seguir-se-á outro no dia 13, sobre a abolição ou aceitação de uma saída sem acordo – e caso venha a ser chumbada a saída sem acordo, seguir-se-á um novo voto para a extensão do prazo da saída do Reino Unido do bloco europeu, marcado para 29 de Março próximo.

Entretanto, Michel Barnier e a sua equipa cruza os braços e garante que, para além de algumas ameaças e promessas, Londres não tem apresentado quaisquer propostas para a resolução do impasse. No entanto, Geoffrey Crox, contrapõe e afirma que as intenções propostas foram “claras” e que apenas uma declaração legal sobre a não imposição do “backstop” na Irlanda do Norte, seria a condição suficiente para ver o tratado aprovado no parlamento.

E apesar de Theresa May ter conseguido ganhar o apoio de uma parte dos deputados ‘rebeldes’ do seu partido, a verdade é que falta ainda convencer 95 deputados do seu partido e do Partido da União Democrática da Irlanda do Norte, que sem o compromisso legal da União Europeia sobre o “backstop” não votarão a favor do acordo.

O ministro das finanças britânico, Philipe Hammond, sobre o assunto disse à BBC que “se não aprovarmos o acordo com uma votação significativa na terça-feira, entraremos num processo parlamentar que muito provavelmente levará a um adiamento da saída e a um resultado incerto, com mais incertezas para a economia britânica e mais incerteza para a população em todo o país”.

Tudo ficará dependente da viagem, este domingo, da primeira-ministra a Bruxelas para a última tentativa em conseguir de Bruxelas um acordo sobre a fronteira com a Irlanda do Norte.

 Por fim, o líder da oposição, Jeremy Corbyn, tenta chegar a um acordo com o deputados conservadores pró-europeus para constituir um bloco e avançar para uma solução tipo Noruega.

A Noruega não faz parte da união aduaneira, mas é membro do mercado único da UE e tem de aceitar a livre circulação, pagar para o orçamento da UE e aceitar as leis da UE. Só que a grande maioria dos conservadores advertem que tornar o Reino Unido num ‘outsider’, mas cumpridor das regras do bloco europeu, vai contra a ideia do Brexit, um Reino Unido independente do controle da UE.

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