Indústria abandona enquanto os políticos jogam o futuro do Reino Unido

Fabricantes de automóveis, que empregam 850 mil pessoas, emitiram avisos bem específicos de que abandonarão o Reino Unido, no caso de um Brexit sem acordo, na decisão mais relevante e clara que espalhou o pânico por grande parte da indústria britânica.

Faltando 24 dias para a saída programada da Grã-Bretanha da UE, os extremistas e euro-cépticos conservadores exigem que Theresa May ordene o voto obrigatório aos seus ministros e deputados a favor do acordo existente, caso o procurador geral não consiga as concessões necessárias, sobre os planos de fronteira com a Irlanda do Norte. Caso contrário votarão de novo contra o acordo.

Espera-se que Theresa May faça uma viagem de última hora a Bruxelas no próximo domingo, antes da nova “votação do acordo” a ter lugar terça-feira, dia 12 de Março, para forçar o acordo com a UE. A primeira-ministra prometeu que, se o acordo for chumbado no Parlamento, os deputados poderão votar a aceitação, ou recusar, a saída desordenada (sem acordo) na quarta-feira, dia 13. Caso a saída desordenada seja chumbada na Câmara de Comuns, a responsável pelo governo britânico voltará ao Parlamento no dia 14, para o voto no adiamento da implementação do Artigo 50 em 29 de Março e assim possa renegociar  um novo tratado com Bruxelas.

Só que a indústria, fruto da instabilidade corrente tenta evitar o risco de uma saída desordenada e começa a abandonar o Reino Unido.

Falando na abertura do Salão do Automóvel de Genebra, a BMW disse que pode ser forçada a parar de fabricar o Mini na fábrica em Cowley, perto de Oxford, colocando em risco mais de 4.500 empregos e mais de 100 anos de carreiras no local. Essa decisão foi logo seguida pela Toyota, a Bentley e a francesa PSA, proprietária da Vauxhall e, por fim a Nissan que anuncia a redução dos seus efectivos na unidade de produção em Sunderland, já para não falar na anunciada saída e redução de fabrico da Honda, Jaguar Land Rover e Ford.

O futuro da economia britânica vai-se jogar ou adiar na próxima semana e, por isso, são momentos de grande pânico para um sector que vive essencialmente na exportação para a Europa. Depois, como noticiámos, teremos o aumento de custo de vida originado por tarifas alfandegárias e a quase previsível queda da libra.

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