BREXIT: THERESA MAY ‘ENTALADA’ NO PARLAMENTO PELO SEU PRÓPRIO PARTIDO

Depois de ter apresentado no Parlamento um acordo técnico/jurídico e um esboço a determinar os objectivos do Brexit, para ser negociado com a União Europeia depois de 29 de Março de 2018, durante os cerca de 2 anos de transição, Theresa May foi, a bem dizer,  ‘atropelada’ pela maioria dos deputados do seu Partido e oposição, que se preparam para o travar no voto parlamentar para o próximo dia 11 de Dezembro.  

Durante os mais de dois anos, que sucederam o referendo de Junho de 2016, o Governo britânico teve mais que tempo para negociar e apresentar um acordo com UE. Ou, durante esse tempo, perceber que o entendimento com Bruxelas era impossível e encaixar a sua estratégia às realidades que se lhe deparavam, na UE e no círculo político no Reino Unido. Mas assim não fez. Foi arrastando o estado periclitante das negociações e, sobre pressão, apresenta à última hora uma solução que não agrada à maioria parlamentar que precisa para o executar.

Theresa May sabia, desde o início, que teria pela frente várias tendências: os eurocépticos; os alinhados com a UE; a Aliança Democrática da Irlanda do Norte; e a oposição, constituída pelo Partido Trabalhista, SNP (Escócia), Liberais-Democratas e Verdes. Sabia que teria de apresentar um acordo que agradasse a uma maioria qualificada e não conseguiu.

Agora, depois do Parlamento Europeu o ter aceite, o Governo britânico terá de o apresentar formalmente para votação no Parlamento em Londres. Sabendo de antemão que não tem votos suficientes para o aprovar… e criará um vazio e, teimosamente, a confusão geral.

O argumento da rejeição parlamentar baseia-se, essencialmente, no tratamento diferenciado que dá à Irlanda do Norte, que se manterá na União Europeia, a subjugação às leis da UE no que diz respeito ao comércio de bens, financeiro, serviços e outros e, ao mesmo tempo, deixar de ter intervenção directa nas decisões do bloco europeu.

Na maioria, os comentadores políticos dos mais variados órgãos de comunicação social britânicos, apontam para um cenário de teimosia de Theresa May, que irá manter-se à frente do Governo, prorrogará a data de 29 de Março de 2018 para outra posterior e a renegociará os termos de um novo acordo. Outros falam na demissão da primeira-ministra e eleições antecipadas. Por fim, muitos acreditam num segundo referendo, acrescentando uma nova questão considerando a opção do voto para a manutenção e mantendo o da saída do Reino Unido na União Europeia.

Segundo o Financial Times, as sondagens apontam para 68% do eleitorado a optar para um novo referendo, onde 56% votaria para permanecer na União Europeia, 31% por um acordo de saída e 13% por uma saída sem negociação. As sondagens apontam também que 44% do eleitorado aceita Theresa May para liderar o país para o novo plebiscito.

Vamos ter, com certeza, dias animados de debate político até 11 de Dezembro, data que se supõe se procederá à votação do acordo do Governo Britânico com a União Europeia.

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