Boris Johnson ao ataque à liderança já em Setembro

Todos sabíamos que o abandono de Boris Johnson do cargo de ministro dos negócios estrangeiros do Governo britânico, indiciava a intenção de  prosseguir a sua ambição política,  chegar a primeiro-ministro e, subsequentemente, a líder do Partido Conservador.

Para isso, Johnson teria de criar as condições ideais para contestar o cargo a Theresa May, que se encontra numa posição cada vez mais frágil e sem capacidade para unir o partido em volta de uma estratégia, seja ela qual for, do Brexit, a ser implementado já no dia 29 de Março de 2019.

Caberá agora ao antigo ministro dos negócios estrangeiros arquitectar o ‘timing’ do ataque ao poder, que poderá ser já em Setembro 30 a 3 de Outubro, no próximo Congresso do Partido Conservador.

Mas se as sondagens lhe dão um confortável 40% das intenções de votos no partido, em termos nacionais Johnson situa-se nos 18%, tal como o seu rival Jacob Rees-Mogg, ambos eurocepticos, contra os 22% da primeira-ministra e os 40% do Partido Conservador, se as eleições fossem efectuadas agora.

Mas este polémico político britânico não se fica por aqui. O grupo pró-Brexit Leave.EU começou uma campanha junto aos seus membros para apoiarem Boris Johnson e Jacob Rees-Mogg à liderança dos conservadores. Mas como?

Tal e qual como Jeremy Corbyn fez com a corrida ao Partido Trabalhista. Deputados conservadores estão alertando sobre o risco de ingresso no partido de membros do Leave.EU, que tem encorajado os seus partidários a tornarem-se membros do Partido Conservador para apoiar Boris Johnson ou Jacob Rees-Mogg no assalto à liderança.

No entanto, as regras do partido conservador determinam que só membros com mais de três meses de adesão podem votar numa corrida à liderança. Para além de que os membros de base têm o direito de vetar a entrada de  novos proponentes, que achem não terem as condições necessárias.

O Grupo ‘Leave.EU’ foi criado pelo empresário de extrema-direita Arkrn Banks para combater o referendo de 2016, mas acabou por perder a relevância para o ‘Vote Leave’, que teve uma adesão muito maior e acabou por ser o grupo de campanha oficial do Brexit.

A estratégia de Banks é juntar os actuais 88 mil apoiantes e “inundar” o partido conservador para eleger um “verdadeiro criador de raças” como Johnson ou Rees-Mogg.

 “Essas pessoas são absolutamente dedicadas à sua causa. E não é preciso muita gente para fazer uma enorme diferença – por isso é realmente preocupante ”, disse a deputada conservadora, Anna Soubry, que se rebelou várias vezes contra seu partido para apoiar um Brexit suave.

Ela alega que as associações locais têm poucos recursos para verificar as credenciais dos membros “invasores. Algumas delas são pessoas que, na contestação à Europa, sentiram que não estavam a ser apoiados e foram para o Ukip e agora estão voltando”, disse ela. O apoio à Ukip entrou em colapso nas eleições gerais de 2017, quando Theresa May prometeu defender, prosseguir e implementar o Brexit.

Outro deputado conservador, Phillip Lee, que renunciou ao governo por se recusar a apoiar a emenda de Dominic Grieve para dar o voto de decisão final aos parlamentares, twittou que havia indícios de “entrada” e que era hora de “acordar e agir contra um momento de extrema direita”.

Os números publicados mais recentes mostram que o número de membros do partido conservador é de 124.000, um quarto do tamanho do partido trabalhista de Jeremy Corbyn e aumenta o risco de que um número relativamente pequeno de activistas possa influenciar o resultado de uma eleição de liderança.

Tim Bale, professor de política na Universidade Queen Mary de Londres, diz que as pessoas mais obcecadas ideologicamente pelo Brexit, já aderiram anteriormente, só que não tiveram oportunidade de votar, porque Theresa May se tornou a única candidata depois de Andrea Leadsom ter desistido.

Com muitos deputados conservadores revoltados e contra o acordo proposto por May e conhecido por Chequers, tudo leva a crer que não será difícil uma corrida à liderança que parece cada vez mais frágil.

Johnson renunciou ao cargo de ministro dos negócios estrangeiros em julho, dizendo que não poderia apoiar a posição de negociação alcançada no dia do governo em Chequers. Apesar de não ter pedido a exoneração de Theresa May, é de opinião que o plano apresentado pelo Governo para o Brexit deixaria a Grã-Bretanha num “limbo miserável e permanente”.

Por isso, o Brexit de Theresa May vai ter de passar por um novo crivo decisório, no próximo Congresso do Partido Conservador de 30 de Setembro a 3 de Outubro próximo.

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