Focos anti-UE na Europa forçam Bruxelas a dificultar o Brexit

O director da Deltapoll, empresa de pesquisas, Joe Twyman, alerta que a União Europeia não facilitará o Brexit ao Reino Unido, por causa dos existentes “focos de sentimento anti-UE” entre os Estados membros.

O responsável pela empresa de pesquisas explica que a União Europeia “quer ser vista como dificultando todas as fases” das negociações do Brexit, porque acredita que o contrário não beneficiaria os objectivos do bloco europeu.

Twyman disse à CGTN America saber “que em todos os países da União Europeia há, com diferentes graus de relevância, focos políticos anti-UE. A última coisa que a União Europeia gostaria de transparecer é que sair da UE seja fácil e pacifico”. A ideia que querem transmitir traduz-se numa simples ideia, “não há benefícios para um país sair da UE”.

Na proposta do projecto de acordo do Checkers (Brexit), os negociadores do Reino Unido e da UE já concordaram em 80% dos pontos ali apresentados pelo Governo britânico. Mas as quatro liberdades em que se baseia o acordo entre os membros da EU são indivisíveis. Assim a eliminação, entre os Estados-Membros, dos direitos aduaneiros e das restrições quantitativas à importação e exportação de mercadorias pressupõe a livre circulação de pessoas, serviços e capitais.

E aqui começam as dificuldades do Reino Unido que não contempla, na proposta de acordo, pontos importantes sobre o acesso contínuo da Grã-Bretanha ao mercado único e sobre como evitar uma fronteira entre as Irlandas.

Sobre isso Twyman acrescenta que é uma luta que se estende também ao Reino Unido “onde se vêm, tanto na EU, como em diferentes sectores do Partido Conservador, ou na classe política em geral, quererem transparecer o grau de dificuldades deste processo e quererem ser vistos a lutar pelos direitos, ora da Grã-Bretanha, ora da União Europeia.”

“Isso joga bem com seus apoiantes, porque não é apenas uma luta pela concessão de um acordo, mas também uma importante questão política. Ninguém quer ser visto a facilitar, porque isso poderia prejudicá-los internamente nas urnas.”

A primeira-ministra Theresa May já começou a sua tentativa de suavizar as posições da UE, visitando os líderes mais influentes do bloco.

Neste verão, a primeira-ministra britânica visitou Sebastian Kurz, Emmanuel Macron e Angela Merkel, numa tentativa de afastar Michel Barnier das suas funções.

Não parece que tenha conseguido grandes apoios e hoje fala-se cada vez mais no recurso a novas eleições, na contestação da liderança do Partido Conservador ou num Brexit duro, a saída do Reino Unido da União Europeia sem contrapartidas.

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