REGRESSO AO PASSADO

por Daniel Santos

“Dei tudo o que podia e sabia para o êxito do Grupo Mota-Engil. Assumo que a um ritmo vertiginoso e cuja continuidade, para mim, exigiria uma energia que não é humanamente renovável” – foi com estas palavras que Jorge Coelho se despediu, há cinco anos, da presidência da construtora. Um lustro depois, recarregadas as baterias e renovada a energia, provavelmente à base de Queijo da Serra, eis que o Coelho socialista regressa ao grupo que tanto dinheirinho lhe deu a ganhar…

Que diferença de tratamento, meus senhores! Há cerca de dois meses, quando foi anunciado que um outro Coelho, este social-democrata, ia dar umas aulas na universidade, a ala canhota de Portugal atacou bravamente em tudo o que é comunicação social – foram ouvidos os cérebros e lidas as inteligências que fazem opinião nos jornais e nas televisões deste Portugal virado à esquerda, sempre pressuroso a fiscalizar tudo o que se passa com a abominável gentinha da direita. Desta vez, sabido do regresso deste filho pródigo à casa que o ajudou a enriquecer, não se ouviu um pio das galinholas nem dos galifões da esquerda, entretidos que andam a elogiar a sucessão cubana, a criticar os bombardeamentos na Síria ou a relativizar o envenenamento do ex-espião russo em Londres. Aqui e ali lá vão fingindo que pressionam Centeno e Costa, de mansinho já terão garantido o aumento ao funcionalismo público e até se esforçam por esquecer que foi assim que Sócrates encetou a sua – e nossa! – caminhada para o abismo.

Mas voltemos ao “Coelhone” socialista – esse beirão íntegro que até teve a hombridade de se demitir após a catástrofe de Entre-os-Rios – para relembrar os mais esquecidos de que é este o mesmo Jorge Coelho que, antes de ingressar no executivo de Guterres, ganhava uns modestos 40 mil euros anuais, e que, três anos após deixar a política (?) e ter ingressado na Mota-Engil passou a declarar mais de 700 mil ! Foi no tempo deste senhor à frente da construtora que se verificaram as inexplicáveis derrapagens de muitos milhões na “Parque Escolar”, com a maioria das empreitadas a serem adjudicadas à Mota-Engil, algumas sem qualquer concurso público, numa rebaldaria socialista que lesou o País em quase dois mil milhões de euros, também com o Grupo Lena a ajudar à festança que haveria de terminar com a condenação da ministra Maria de Lurdes Rodrigues a três anos e meio de prisão! Pois é este o mesmo Jorge Coelho que agora regressa, pela mão do seu partido de sempre – provavelmente cansado de ordenhar ovelhas na sua queijaria de Mangualde, Jorge Coelho volta à teta da Mota-Engil, donde já mamou à grande e à portuguesa…

Que título dar a este remake de mais uma novela socialista? Atendendo a que o ex-ministro também voltou ao programa “Quadratura do Círculo”, que tal plagiarmos aquela série dos anos 90 em que se recordavam grandes êxitos musicais das décadas de 50, 60 e 70? Que tal o título “Regresso ao Passado” – sem o Júlio Isidro na apresentação, mas com Jorge Coelho no papel principal? Ao fim e ao cabo são os socialistas a dar-nos mais música… e notas não faltarão na choruda avença da SIC ou na administração “não executiva” da Mota-Engil…

Comentários

be the first to comment on this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Ir para TOPO