A Síria depois da intervenção dos EUA

As imagens vindas da Síria mostram um clima de “normalidade” aparente, pelo menos em teoria. A maioria dos países ocidentais apoiaram o lançamento de mísseis a punir o uso de químicos contra os oponentes de Assad. Contudo, tanto a Rússia, como a China e o Irão manifestaram-se contra o ataque. No Reino, Jeremy Corbyn foi o grande opositor ao Governo, que aderiu aos bombardeamentos, sem passar pelo Parlamento ou ter o aval da ONU.

Na maioria dos órgãos de comunicação social esperava-se o pior. Depois dos bombardeamentos aguardava-se a retaliação de Moscovo, que acabou por não acontecer. Em vez disso, Putin convocou uma reunião da ONU e, a opinião da imprensa russo, só depois decidirá o que fazer.

O jornalista britânico Danny Makki encontra-se no terreno, e afirma que no ar residem muitas perguntas sobre o que se vai passar. Dependendo disso a situação poder ser grave ou, apenas, de confronto político. No terreno, diz este jornalista, os dados estão lançados e Assad venceu a guerra.

“Agora trata-se de saber o que é que Trump pode fazer de pior”,  começa por dizer Makki, que continua “Não conseguirá ter sucesso numa política de mudança de regime porque os russos estão aqui e os iranianos também. O Estado sírio tem muitos aliados e o Governo liderado por Bashar al-Assad está, neste momento, a caminho da vitória. O que pode tê-los atingido e o que criou mais estragos foi o ataque significativo a estruturas militares. Não o ataque às instalações de pesquisa que alvejaram porque estavam vazias antes dos verdadeiros ataques acontecerem. Esse foi o principal receio em Damasco. Que Trump decidisse atacar todas estas localizações militares e de segurança altamente sensíveis. O que aconteceu foi o que todos pensámos que aconteceria: choque e pavor durante uma hora e ataque a alvos limitados.”

A ofensiva partiu de navios e caças, com mísseis europeus e dos EUA guiados por GPS.

“Conseguiram alguns golpes, lidaram com a ameaça e converteram a situação interna do estado numa espécie de pequena vitória simbólica. Ainda estamos aqui, as coisas continuam normais. Mas não lhes interessa e penso que também não querem continuar a fazer escalar as coisas com Trump ou com qualquer outro Estado ocidental. Afinal de contas têm um país que está quase completamente destruído. Não podem depender apenas de países não-europeus, não-ocidentais. Os estados ocidentais terão de voltar a jogo na Síria a certa altura no futuro. Resta saber como é que isso vai acontecer, mas neste momento os sírios seriam muito imprudentes em provocar Trump ainda mais. Falei com algumas pessoas e o sentimento que se percebia era sobre o pior que pode acontecer. Nada pior do que tem acontecido nos últimos sete anos”, acrescenta Danny Makki.

Entretanto, na Grã-Bretanha, o Parlamento reabriu após as férias da Páscoa com Theresa May a explicar as motivações do envolvimento do Reino Unido no ataque a alvos sírios ao lado da França e dos EUA.

A primeira-ministra britânica reiterou ter explorado todos os canais diplomáticos antes de advogar pela “acção limitada e cuidadosamente direccionada ” e disse sobre o assunto: “Deixem-me ser absolutamente clara. Agimos porque é do nosso interesse nacional fazê-lo. É do nosso interesse nacional evitar o uso adicional de armas químicas na Síria e encorajar e defender o consenso global de que estas armas não devem ser usadas. Não podemos permitir que o uso de armas químicas se torne normal seja na Síria, nas ruas do Reino Unido, ou em qualquer outro lugar. Não fizemos isto porque o que Presidente Trump nos pediu. Fizemos porque acreditámos ser a forma correta de actuar e não estamos sozinhos.”

O líder da oposição, Jeremy Corbyn, criticou Theresa May por não ter pedido autorização prévia ao Parlamento antes da ofensiva e disse, entre outras coisas, que a ação foi “legalmente questionável” porque não se tratava de um acto em defesa própria, nem contou com a aprovação das Nações Unidas.

Na certeza, porém, que o caso ainda não está encerrado e, se contarmos com a China, Assad poderá não ter de contar com o Ocidente para reconstruir a Líbia.

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