OPINIÃO: Publicidade enganosa por DANIEL SANTOS

Entretidos com o julgamento de Pedro Dias, com o assassinato da menina Maëlys, em França, com o massacre registado numa escola da Florida, com a morte de um sem-abrigo português, em Londres, com as lamechices do presidente do Sporting e com o próximo Congresso do PSD – entre muitas outras notícias menores, como a “levitação” da bola no penálti que o mago Ronaldo marcou contra o PSG – os portugueses fazem questão de passar ao lado do que verdadeiramente interessa ao País, isto é, do que verdadeiramente os deveria interessar… e preocupar!

Basta dar uma vista de olhos pelos jornais online para perceber quão amiga tem sido, e continua a ser, a generalidade da comunicação social para com o trio que nos governa.

De facto, notícias importantes como o congelamento de mais de 500 milhões de euros destinados a pagar aos fornecedores dos hospitais, o aumento de efectivos no funcionalismo público ou a anunciada greve de professores, programada para 13 a 16 de Março, são tratadas quase como notas de rodapé nos vários jornais diários que se publicam na internet – apenas o Jornal de Notícias faz manchete com a dívida do Estado aos hospitais e denuncia o congelamento dos tais 500 milhões de euros, por ordem de Mário Centeno, o meio ministro das Finanças de Portugal e meio presidente do Eurogrupo de Bruxelas. Também o aumento de 10 mil funcionários públicos – encaminhados, principalmente, para os sectores da Educação e das autarquias – quase passa despercebido no meio das notícias do futebol e dos crimes. E, por referir a área da Educação, mais uma greve dos professores, leia-se da Fenprof, pouco ou nenhum relevo merece por parte da comunicação social, muito mais interessada na recuperação do Salvador Sobral do que na do País, também este a justificar os cuidados especiais que o actual governo teima em não lhe prestar. Apesar da gabarolice de António Costa, do optimismo do Presidente da República e das simpáticas avaliações da Moody’s, Portugal ainda não teve alta, já terá saído do coma a que foi induzido, durante quatro anos, pela União Europeia, mas carece, ainda, de cuidados paliativos que poderão durar muito mais tempo do que se pensa. E deseja…

A chamada “boa imprensa” de que Costa e a geringonça têm beneficiado ao longo dos últimos tempos mais não tem feito do que menorizar muito do que é importante para Portugal. Na imprensa escrita, nas televisões, na vasta tribo dos comentadores políticos, nas redes sociais e nos diários online, este governo socialista-comunista tem sabido jogar influências e interesses. Não admira, por isso, que o actual primeiro-ministro deseje que nove em cada dez portugueses tenham acesso à internet, dali não virá grande mal à popularidade e continuidade da traquitana que ajudou a montar. Só que não basta recuperar o slogan do sabonete Lux, para que nove em cada dez portugueses estejam ligados à internet exige-se que esta seja real e honesta, verdadeira nos relatos do quotidiano do País – fartos de publicidade enganosa estamos todos nós!

 

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